segunda-feira, 27 de abril de 2020

Quem gosta, gosta, quem não gosta…

Muito se fala em liberdade nos dias que correm. E bem.

Também muito se fala em assertividade . E bem. Mas como em todas as coisas é importante saber do que se fala.

Diz-se com alguma frequência que as palavras não ditas trazem doença e por isto devemos dizer tudo o que pensamos e sentimos. Há mesmo quem diga que não temos nada que nos preocupar se os outros gostam ou não, muitas vezes usando mesmo a expressão: quem gosta, gosta, quem não gosta temos pena!

Pois bem, de facto eu acredito que as palavras não ditas fazem um trabalho imenso em nós e na maioria das vezes não é nada positivo. E sim, eu também acredito e digo que devemos dizer o que pensamos e sentimos, sob pena do “não dito” nos atormentar a mente e o corpo.

Mas nem toda a liberdade que temos hoje, nos dá o direito de dizer tudo o que nos apetece da forma que nos apetece sem considerar o respeito que devemos ter pelos outros.

Há quem diga que pessoas assertivas são pessoas diretas. E sim, ser direto é uma das características da comunicação assertiva. Na verdade eu costumo dizer de outra forma mas na essência não estamos a dizer coisas muito diferentes. Eu costumo dizer que a linguagem assertiva, entre outras coisas, tem por base a transparência da linguagem. Ela é verdadeira, ela é clara, é transparente, sem nada a esconder.

Mas outra característica da assernividade, não menos importante, é o respeito pelo outro, na sua totalidade. O respeito pelos seus sentimentos, pela sua cultura, pela sua história de vida, pelas suas crenças, pelos seus valores,…

Então, sim eu posso, e diria mesmo devo, dizer aquilo que penso e/ou sinto. Mas a título de exemplo isso não me dá o direito de chamar os outros de bestas, burros, incompetentes, ladrões, estafermos,….

Os outros têm o direito de pensar de forma diferente de mim, seja lá sobre que tema for, e não tenho que os ofender por isso.

Podem até estar a fazer coisas que eu ache completamente erradas, mas sou eu que acho,… não quer dizer que seja. Pode até ser que este meu achar se fundamente em artigos, livros, noticias,… que também elas são só a versão do seu autor, seja ele quem for. Ah mas aquela estação é muito credível,… ah mas aquele autor é doutorado,… ah mas é uma organização conhecida no mundo inteiro…. sim,… e… ? Isso quer dizer que os outros não podem pensar de forma diferente deles?…

Se eu quero ter a liberdade de pensar o que penso de sentir o que sinto e poder manifestar-me sobre isso sem ser ofendido/a, então também tenho que aceitar que os outros façam o mesmo.

Como todos sabemos até é comum dizer-se que a minha liberdade termina onde começa a do outro

Talvez também por isso existe o código penal dedica alguns artigos a crimes relacionados com difamação, injúria, calúnia,…

E, mesmo que hipoteticamente, os outros estejam a fazer algo que seja proibido, que seja crime público, sei lá …. tantos argumentos que usamos para dizer que os outros não tem o direito( e a liberdade) de fazer e dizer o que fazem ou dizem…

Mesmo que isso aconteça, mesmo que os outros estejam a fazer algo que seja proibido, que seja crime público,… eu posso manifestar-me, pedir que não façam,… mas quem sou eu para os ofender, para fazer justiça por mim?

Se falar sem desrespeitar não for suficiente, é minha obrigação informar as autoridades competentes. É para isso que elas existem. É por isso que vivemos numa sociedade livre mas com regras.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

ISO 9001:2015 - Uma ferramenta de gestão?


Estive recentemente em mais uma formação com Nigel Croft, sobre a revisão da ISO 9001. Gosto de ir a várias formações sobre os temas que eu própria ministro de forma a enriquecer a minha abordagem.

Como sempre adorei o senhor.

É muito interessante ouvi-lo! É uma pessoa rigorosa mas com bom senso. E o bom senso, como ele próprio diz,  é uma coisa que escasseia.

É bom ouvi-lo dizer que não faz sentido que a gestão da qualidade seja separada da gestão da empresa, que não faz sentido que um Manual da Qualidade seja um "relambório" sobre os requisitos da norma, que não faz sentido que se definam papeis para auditor ver,...

Tantas coisas que escrevi no meu primeiro livro em 2007!

A revisão que está em curso torna claras muitas dessas coisas,  mas há uma coisa que é necessário que todos tenhamos consciências: a revisão da norma só por si não vai mudar cabeças!

Digo muitas vezes que esta área tem tanto de interessante como de frustrante.

Esta formação fez parte do interessante e desperta a minha esperança de que um dia a 9001 seja usada como uma verdadeira ferramenta de gestão.

Só o tempo o dirá!

sábado, 24 de maio de 2014

É possível formar um auditor interno dentro da própria organização?


Boa tarde,

Gosto muito do seu blog, e têm sido muito útil à minha profissão.

A minha pergunta é a seguinte:

É possível formar um auditor interno dentro da própria organização.

Ou seja, na minha empresa existe uma única pessoa com o curso de auditor, é possível essa pessoa formar uma pessoa para fazer as auditorias internas. ( tendo esse trabalhador o CAP).

 Grata pela sua atenção Cumprimentos,
Olá :)
Imagino que tenha desistido da resposta :) o mail estava esquecido; como andei numa arrumação hoje, dei com ele. Peço desculpa e espero ainda ir a tempo.
Não lhe sei responder a esta pergunta de forma direta.
O que é exigido é que esteja definida a competência para os auditores da qualidade internos. É a organização que define a competência, embora seja óbvio que se exija algum bom senso nessa definição. Não faz sentido a título de exemplo dizer que o auditor não precisa ter formação em auditorias - pelo menos é o que me parece :)
A auditoria é, na minha opinião uma das melhores ferramentas  de dinamização do seu SGQ e em consequência do seu crescimento e consolidação. Mas se e só se for bem feita. Caso contrário estamos todos a perder tempo.
Aquela coisa de achar que o auditor é uma pessoa que traz uma lista de perguntas e vai picando "sim" ou "não",... não traz mais valia
Não conhecendo a definição de competência da sua empresa para o auditor da qualidade interno, não lhe sei responder com rigor.
Arriscando-me a dizer algo menos rigoroso, penso que dependerá desse auditor interno e da sua experiência. Ele (ou ela) fez um curso de auditores, mas faz auditorias com regularidade? tem experiência e conhecimento das normas suficiente para poder transmitir? E da documentação do vosso SGQ? É uma pessoa que possuí as competências comportamentais adequadas?
A resposta depende do que referi no parágrafo anterior e no que tiverem definido como competência mínima para o auditor da qualidade interno.
Até breve.